segunda-feira, 14 de abril de 2014

Fórum de Comunicação realiza oficina de rádio em Curaçá



Uma aula diferente e atrativa”, essa foi uma das avaliações feitas pelos/as participantes do projeto “ABC da Mídia: Educomunicação em Foco”. A segunda oficina de comunicação aconteceu na última quinta-feira (10), em Curaçá – BA, com estudantes da Colégio Estadual João Matos, abordando temáticas como rádios comunitárias, a importância da comunicação, o papel dos meios de comunicação entre outros assuntos.
No primeiro momento as/os estudantes explanaram o que eles/as entendem a respeito do que é comunicação, o que gostam de ver/ouvir nos veículos de comunicação. Também escutaram o programa de rádio “Fala garotada”, produzido por crianças e adolescentes da cidade Juazeiro. Após essa conversa, foram desafiados a produzirem um programa radiofônico. As/os estudantes foram divididos em grupos e posteriormente construíram três programas de rádio, abordando os seguintes temas: Convivência com Semiárido, Educação e Tráfico de pessoas.
A oficina foi finalizada com a participação dos/as estudantes na rádio comunitária Curaçá FM. O grupo de adolescentes apresentaram suas produções ao vivo para todos/as os/as ouvintes da emissora. Para muitos, esse foi um momento de nervosismos, ansiedade e muita alegria, que instigou a vontade de participar em outros momentos da programação da rádio.

Segundo Delaides Rodrigues, comunicadora da Curaçá FM  integrante do Fórum de Comunicação Sertão do São Francisco, esse espaço de formação é importante para a aproximação dos jovens com a rádio, além de despertar e descobrir novos comunicadores populares. O estudante Eduardo Martins comentou que “a oficina foi legal, como foi dito pelos professores ( facilitadores da oficina), nós adolescentes somos capazes de fazer um programa de rádio”.
A oficina é uma ação do Fórum de Comunicação Sertão do São Francisco com o apoio da Coordenadoria Ecumênica de Serviços (Cese).






quarta-feira, 9 de abril de 2014

Estudantes da Escola Família Agrícola de Sobradinho participam de oficina de comunicação



                          

Comunicação e Fotografia. Esses foram os temas discutidos, no último sábado (5), por estudantes dos 7º e 8º ano da Escola Família Agrícola de Sobradinho (EFAS), durante oficina promovida pelo Fórum de Comunicação Sertão do São Francisco.

Uma explanação sobre os modelos de comunicação e o papel da mídia na sociedade deu início ao encontro, que discutiu também a forma como o Semiárido é retratado na grande mídia, sempre visto como um lugar seco e de miséria.

Depois, os estudantes conheceram um pouco sobre a função e as técnicas da fotografia e, divididos em grupos, tiraram fotos da escola, tendo como base temáticas contextualizadas com a realidade da Efa. O resultado animou a garotada. “O dia foi muito interessante, aprendi coisas novas que podem me ajudar a escolher o que vou querer ser no futuro”, disse Felipe de 14 anos.

Entenda o Projeto

A oficina integra o projeto “ABC da Mídia: Educomunicação em Foco”, pelo Fórum de Comunicação, com o apoio da Coordenadoria Ecumênica de Serviços (Cese). Além de Sobradinho, ainda serão realizadas oficinas de comunicação com estudantes de escolas públicas de Campo Alegre de Lourdes, Curaçá, Juazeiro e Remanso, cidades do Sertão do São Francisco. Além das oficinas, ainda será realizado o Seminário Abc da Mídia, em Juazeiro – BA. 

As ações visam propiciar momentos de formação, mesclados com espaços de socialização de experiências, de forma que as atividades possam servir de motivação para jovens e professores aproximando-os entre si e da temática do projeto, a educomunicação.

Conheça o Fórum

O Fórum de Comunicação é um espaço de discussão e articulação entre pessoas e entidades, que visa discutir estratégias e implementar ações voltadas para a efetivação da comunicação como um direito humano. Ele é constituído por várias entidades não governamentais que atuam no território, como as rádios comunitárias de Curaçá, Remanso, Pastoral da Juventude do Meio Popular de Campo Alegre de Lourdes, Pastoral da Criança de Pilão Arcado, o Irpaa, a CPT, Sasop, Centro Acadêmico de Comunicação Social – Uneb, Intervozes.



terça-feira, 8 de abril de 2014

Culturalizando: Projeto Abril pras Artes traz ao Assentamento Nossa Senhora Aparecida o Espetáculo Paixão aos Excluídos.





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O mês de Abril por si só já é recheado de datas e comemorações socioculturais que fazem parte da vida de muita gente da nossa região. Um mês, por assim dizer, Católico, que é bastante propicio para se fazer artes sacras, inclusive a Paixão de Cristo um símbolo mais que especial para a celebração de Jesus e seus ensinamentos.
E é essa a finalidade deste projeto. Potencializar este período ofertando a Petrolina, ações culturais de interação e integração do povo à Cultura, a Arte e a Religiosidade. Instrumentos estes tão importantes para a transformação social, cultural e cidadã tão necessárias para o desenvolvimento dessas localidades a serem beneficiadas.
Uma forma de desmitificar o 1º de Abril que muitos conhecem como dia da mentira, mas que pode se transformar em uma data importante para a celebração artística, tendo a Arte como verdade incontestável para entreter e propor lazer, educação e cidadania.

Situada na cidade de Petrolina – PE, o Acampamento Nossa Senhora Aparecida é um símbolo de resistência e luta em defesa da moradia na região. E ver na oportunidade - trazer entre as ruelas da comunidade esse espetáculo inédito e que tem como protagonista: Jesus, considerado o maior revolucionário de todos os tempos.
Assentamento Nossa Srª Aparecida. Foto Tiago Carvalho.
Para Gil Neris diretor do espetáculo, as expectativas são muitas, uma vez que esse trabalho pode fazer com que muitos artistas sejam descobertos e que se sintam motivados a desenvolver outras atividades teatrais tanto no Assentamento como também poderão atuar em outros espaços na nossa região.
Já para Tiago Carvalho, idealizador do projeto, há uma felicidade imensa em estar envolvido num trabalho como esse que leva cultura e arte ao interior aonde a oferta de atividades culturais não são tão frequentes ou até não existem. “A nossa próxima meta é garantir que junto com os patrocinadores, colaboradores e artistas locais possamos estar levando mais e mais Teatro, Música e Dança, ou seja, a arte em geral à várias localidades daqui do Vale, já que o Abril pras Artes não só realizará este espetáculo como também inúmeras outras atividades em Petrolina neste mês de Abril”, afirmou. E ainda segundo ele todos estão desde já convidados a prestigiar a Paixão aos Excluídos que será nos dia 18 de Abril as 19:00.
Prestigiem. 

Adriel Duarte, Comunicador Popular!

sábado, 9 de novembro de 2013

A mídia tradicional e a ilusão do controle



As grandes empresas brasileiras de comunicação se reuniram nos dois últimos dias em São Paulo para discutir o futuro do setor. Com pouquíssimas variações, o teor dos discursos foi mais uma repetição do que vem sendo dito desde... 1993. A palavra de ordem, segundo os jornais desta quinta-feira (7/11), é a mesma de quando a imprensa foi impactada pela criação do primeiro browser comercial da internet, o Mosaic. Vinte anos depois da ruptura provocada pela tecnologia digital, os gestores de jornais ainda falam de sinergia como a panaceia de todos os negócios.

O Seminário Internacional de Jornais é uma iniciativa da INMA, sigla em inglês para Associação Internacional de Marketing de Imprensa, evento que reúne dirigentes e profissionais de marketing de empresas jornalísticas. Faz parte do esforço do setor para interromper a crise que se desenrola com a perda de receita da publicidade e queda nas vendas. Os temas do encontro incluem o efeito da expansão da mobilidade do público, pela popularização dos telefones com acesso à internet; as novas competências do setor; a publicidade digital e a construção de marcas multimídia.

O evento não parece entusiasmar as empresas, uma vez que apenas o Globo e a Folha de S. Paulo têm dado algum espaço para os debates. Pelo que se pode ler dessas fontes e do site oficial do seminário, trata-se de mais do mesmo, ou seja, os gestores da imprensa seguem repetindo o que declaram há vinte anos, com poucas variações. O novo nome da sinergia é “multiplataforma”, ou seja, os jornais acreditam que basta juntar numa mesma sala os editores e os profissionais de Tecnologia da Informação para produzir conteúdos que possam ser aproveitados em todas as mídias, que tudo estará resolvido.

O representante do Estado de S. Paulo anunciou que desde agosto o jornal paulista tem equipes multimídia, com jornalistas e técnicos trabalhando lado a lado. Ele esqueceu ou ignora que o projeto original do Estado na Internet já funcionava com equipes mistas desde o primeiro dia, no início dos anos 1990, e que o primeiro nome da iniciativa era Estadão Multimídia. De lá para cá, o que era futuro se tornou realidade, mas as empresas jornalísticas seguem discutindo a “sinergia”.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

NOVAS MÍDIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS SÃO DEBATIDOS NO III ECOVALE




Com o intuito de discutir a relação entre os movimentos sociais e as novas tecnologias de comunicação, acontece no dia 16 de outubro às 8:00 h da manhã, no auditório Antônio Carlos Magalhães da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), a mesa “Novas mídias e movimentos sociais – o Local e o Global”, integrando a programação do III Encontro de Comunicação do Vale do São Francisco (ECOVALE).

Participam desse debate o Professor Doutor em Comunicação, Thomas Tufte, da Universidade de Roskilde na Dinamarca e diretor do Centro de PesquisaI nternacional Orecomm sobre Comunicação e as Transformações Globais; Thiago Dezan, repórter da Narrativas Independentes Jornalismo Ação (Mídia NINJA); Delaídes Paixão, integrante do Fórum de Comunicação Sertão do São Francisco; e Marcel Oliveira, militante do Levante Popular da Juventude.

O III ECOVALE é promovido pelo colegiado de Comunicação Social – Jornalismo em Multimeios da UNEB, e acontece entre os dias 15 e 18 de outubro. Nesta edição, o tema do encontro é “Inovação Tecnológica e Convergência de Mídias no Sertão do São Francisco”.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Brasil: Nação rica em diversidade e carente em soberania nacional.


Como se não bastasse a quantidade de empresas estrangeiras que sugam matéria prima brasileira, seja pelo agronegócio, hidrelétricas e mineração, o EUA tem se mostrado bastante interessado em poder explorar/lucrar ainda mais com as diversas potencialidades econômicas do Brasil. Espionagem americana: Análise apurada de uma nação rica em diversidade e carente em soberania nacional.
Observando a forma como o Brasil vem tratando e oportunizando ainda mais a exploração das riquezas naturais brasileiras às grandes multinacionais espalhadas pelo país, sem tem uma noção lógica de que a verdadeira intenção desta espionagem está ligada ao interesse desses grandes grupos no monopólio de matérias primas e pesquisas voltadas ao setor agrícola, mineral, hídrico e energético.
E não para por ai, analisando este caso que repercutiu pelo mundo, muitos brasileiros começaram a se perguntar que atitudes o Governo pretende fazer conforme o  que for apurado e quais as providências cabíveis em relação ao que foi feito. Primeiro, por expor a privacidade dos brasileiros (coadjuvantes), e, principalmente, colocar nas mãos dos americanos - informações importantes que diz respeito ao patrimônio natural e as relações internacionais do Brasil.
Violado, o direito de Liberdade de expressão por uma ação criminosa em uma nação que si diz livre em relação a troca de informações e ao uso dos meios de comunicação, faz com que a luta popular ganhe mais uma pauta: Abaixo a Vigilância Americana!
O Marco Civil, projeto de lei que pretende torna ilegal ações de espionagem como essa precisa ser aprovado, urgentemente, garantindo que os culpados sejam punidos, independentemente, de quem sejam. Além disso, é preciso que os brasileiros comecem a substituir softwares estrangeiros por nacionais abertos, valorizando as ferramentas de comunicação do país, como também, dificultando o acesso de espiões americanos que produzem esses mecanismos digitais utilizados por todo o mundo.


Adriel Duarte, Curaçá – BA.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Juventude em formação: Militantes do VSF se reúnem para discutir os impactos sofridos pelos Grandes Projetos na região.


Jovens representantes de diversas organizações e movimentos sociais se reuniram nos dias 05 e 06 de Outubro, em Santa Maria da Boa Vista – PE, para a primeira etapa de uma formação pautada na temática: Desenvolvimento Para que e Para quem? Refletindo os variados impactos sociais dos Grandes Projetos e Empreendimentos da região para a Juventude.
Juventude que ousa lutar, constrói o poder popular.
Estiveram representados, a Marcha Mundial da Mulheres, Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Levante Popular da Juventude, Consulta Popular, Movimento Sem-Terra (MST), Federação dos Estudantes de Agronômia do Brasil (Feab), Quilombolas, Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) que coordenou o evento.
Um espaço rico em discussões sobre a Soberania Hídrica e Alimentar. Possibilitando aos jovens de expor a realidade de suas comunidades em relação a esses impactos, seus anseios e sua visão enquanto agentes de transformação social.
Os depoimentos variados trouxeram ao debate a necessidade da luta em defesa do Rio São Francisco, seja através da mobilização reivindicando os direitos dos atingidos, em defesa contra a transposição e uso abusivo das águas do Velho Chico para o agronegócio.

Soberania Alimentar.

            No primeiro dia da formação, a discussão foi em torno do tema: Soberania Alimentar. Seja na potencialização da diversificação da produção agrícola, de politicas públicas de valorização dos agricultores e combate ao êxodo rural, da produção de produtos orgânicos e respeito ao meio ambiente.
            Segundo pesquisas grande parte da comida consumida pelos brasileiros é de origem do trabalho camponês, desvalidando a ideia de que o agronegócio está a serviço da produção da alimentação básica, e principalmente, de produtos saudáveis.
            Foi observado o grande número de Doenças cancerígenas na população brasileira, os dados mostram uma situação gravíssima já que por ano 1 milhão de novos casos de Câncer são constatados e que 600 mil não tem cura. Sendo que aqui no VSF é encontrado um dos maiores índices do país.
            Mesmo com essa realidade, em Petrolina – Pe, existe uma sede da Monsanto (Empresa que produz agrotóxico e a mesma que produzia venenos de guerra, como o agente laranja, utilizado na Guerra do Vietnã).

Oficinas

             Houve ainda oficinas de Extenso, Batuque, Confecção de Faixas, Teatro do Oprimido e Música. Uma forma dos jovens conhecer na prática atividades de agitação e propaganda.
Juventude na luta por um projeto popular.
            Por isso e por outros motivos que essa juventude ativa na região, se une em defesa de um projeto popular. Que atenda e reivindique essas pautas em comum, seja por Água, Terra, Alimentos, Feminismo e Democratização da Comunicação.
            Esta última, considerada como um veículo fundamental para a difusão dessas ideias e estratégias de luta tão urgentes e necessárias em nossos dias.
            A Segunda etapa deste processo de formação está prevista para novembro, intensificando o debate e a mobilização desses jovens multiplicadores de saberes e agitadores populares.

Adriel Duarte, Curaçá.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Fórum de Comunicação realiza Oficina de Rádio e Fotografia em Curaçá – Ba.



Alguns participantes da oficina praticando a fotografia.
No último dia 02/10, aconteceu em Curaçá uma Oficina de Rádio e Fotografia, ministrada por Érica Daiane (IRPAA), reunindo comunicadores comunitários, religiosos, artistas e sociedade civil em uma formação voltada para a potencialização dos meios comunitários de comunicação como ferramenta de educação, democratização e inclusão social.
Um dos assuntos discutidos foi o papel de instrumentos de informação de massa, dando ênfase na comunicação popular na perspectiva de suprir as necessidades de uma sociedade carente de conteúdos pautados em cidadania, ética e educação. Entendendo, de fato, a serviço de quem está os meios de comunicação de massa que forjam opiniões, manipulam, e criminalizam, principalmente, movimentos sociais, as condições climáticas do semiárido e o povo nordestino.
Foram identificados os veículos de comunicação que existem em Curaçá, como a Rádio Curaçá Fm, Blog Boletim de Curaçá, Curasaae (Impresso), Grupo de Teatro Art Livre, Fanpages (Internet) e Carros de Som.
Para fortalecer ainda mais o debate sobre a comunicação que queremos e por que queremos, houve um estudo e socialização a parti da leitura do texto: Comunicação com Farinha de Gislene Moreira. Relatando um pouco da conjuntura midiática baiana e da necessidade das comunidades em produzir conteúdos a parti de cada realidade, possibilitando as pessoas o direito de serem sujeitas da própria história, como também de serem capazes de transformar a sociedade em que vivem. Priorizando as próprias produções, e, promovendo uma relação produtiva entres comunicadores, lideranças politicas e religiosas, estudantes e demais segmentos sociais.
Durante a tarde a oficina se voltou para a temática da fotografia. Trazendo um pouco aspectos teóricos e em seguida, partiu-se para a prática, tendo como inspiração o Rio São Francisco, que no dia 04 de Outubro comemora aniversário.
/Fotografia como denúncia social.
 Foi também abordado a questão da necessidade de preservação do meio ambiente e da semana de luta em defesa do rio. Assim, os participantes tiveram a missão de registrar não só as belezas do Velho Chico como também usar desta ferramenta de comunicação para fotografar variadas atividades urbanas de degradação ambiental ao Rio São Francisco.

Para Charlene Xavier é muito plausível que momentos como esses aconteçam na cidade, pois muito se tem a aprendem e dividir experiências quando o assunto for comunicação comunitária, “Agente está sempre de braços abertos para participar de formações como essa. Tanto encoraja quanto contribui para melhor fazermos essa comunicação que tanto queremos”, afirmou. 

Adriel Duarte, artesão.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Maioria dos brasileiros acha que publicidade trata a mulher como objeto


propaganda cerveja
A pesquisa "Representações das mulheres nas propagandas na TV", realizada pelo Data Popular e Instituto Patrícia Galvão e lançada nesta segunda-feira (30), em São Paulo, revela que uma das principais bandeiras do movimento feminista e dos defensores da democratização da mídia agora também é abraçada pela maioria da população brasileira. O estudo, que ouviu 1.501 homens e mulheres maiores de 18 anos, em 100 municípios de todas as regiões do país, mostrou que 56% dos brasileiros e brasileiras não acreditam que as propagandas de TV mostram a mulher da vida real. Para 65%, o padrão de beleza nas propagandas é muito distante da realidade da nossa população, e 60% consideram que as mulheres ficam frustradas quando não conseguem ter o corpo e a beleza das mulheres mostradas nos comerciais.

A pesquisa mostrou ainda que 84% da população - 84% dos homens também! - acham que o corpo da mulher é usado para promover a venda de produtos. Para 58%, as propagandas de TV mostram a mulher como um objeto sexual, reduzida a bunda e peito. Um dos dados mais interessantes do estudo, no entanto, é o que aponta que 70% da população defendem algum tipo de punição para os responsáveis por propagandas que mostram a mulher de forma ofensiva. Ou seja, de maneira semelhante ao dado da pesquisa da Fundação Perseu Abramo, que revelou que 71% dos brasileiros e brasileiras defendem a regulação dos meios de comunicação de massa, agora, percentual equivalente também defende a regulação da propaganda, com responsabilização pela veiculação de conteúdos machistas e que violem os direitos das mulheres.

Na avaliação da diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Jacira Melo, a pesquisa será uma ferramenta importante para levar este debate ao conjunto da população do país. "Uma coisa são nossos argumentos, do movimento feminista. Outra é uma pesquisa que mostra uma percepção contundente e coerente da população sobre este tema", disse.

No Brasil, a regulação da publicidade cabe ao CONAR, conselho de autorregulação do setor, que atua com base no Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária.O Código, em seus artigos 19 e 20, afirma que "toda atividade publicitária deve caracterizar-se pelo respeito à dignidade da pessoa humana" e que "nenhum anúncio deve favorecer ou estimular qualquer espécie de ofensa ou discriminação racial, social, política, religiosa ou de nacionalidade". As críticas à atuação do CONAR, no entanto, são inúmeras, da lentidão à não aplicação efetiva do Código.

É por isso que países como a França e a Inglaterra adotam mecanismos de corregulação da publicidade. Ou seja, se a autorregulação não funciona, o Estado - através da aplicação de leis e do funcionamento de órgãos reguladores - tem o direito e o dever de agir. E a pesquisa do Data Popular/Instituto Patrícia Galvão é a prova de que as mulheres seguem sendo desrespeitadas nas propagandas de TV no Brasil.