quinta-feira, 29 de agosto de 2013

LEI DA MÍDIA DEMOCRÁTICA TERÁ LANÇAMENTO REGIONAL NO VALE DO SÃO FRANCISCO

A Lei da Mídia Democrática, o Projeto de Lei de Iniciativa Popular das Comunicações, será lançada regionalmente no dia 30 de agosto, a partir das 17h, no Brasinha (ao lado da Catedral),  em Juazeiro. O evento será aberto ao público e contará com a presença de representantes de movimentos sociais, ONGs, estudantes, e sociedade civil que apoiam a democratização da comunicação no Brasil.

Fazem parte da programação, a professora da UNEB, Gislene Moreira, que coordena um grupo de pesquisa e extensão sobre Comunicação para o Desenvolvimento na região (COM 10!), e o jornalista e apresentador do programa “Pé na Rua” da TV Pernambuco, Ivan Moraes.

O Projeto de Lei da sociedade civil propõe a regulamentação dos artigos da Constituição de 1988 que garantem a pluralidade e diversidade e impedem o monopólio ou oligopólio dos meios de comunicação de massa, estabelecendo princípios para a radiodifusão sob concessão pública (rádio e televisão). Ele foi lançado no Congresso Nacional, no último dia 22, e é um instrumento da campanha “Para Expressar a Liberdade”, realizada por entidades da sociedade civil que lutam por um sistema de comunicação democrático.

A Lei da Mídia Democrática já recebeu o apoio de centenas de entidades e, desde o dia 1º de maio, quando foi levada às ruas, conta com milhares de assinaturas. A intenção é que o projeto de lei seja debatido no Congresso Nacional, para isso, são necessárias 1,3 milhão de adesões. 
 
Aqui na região, a coleta está sendo feita pelo Fórum de Comunicação Sertão do São Francisco que existe desde 2009 e pelo COM 10!, e já conta com mais de 600 assinaturas. “Em nível territorial temos feito esta discussão, chamando diversas entidades, a exemplo das Rádios Comunitárias. Este momento sem dúvida contribui com o fortalecimento do Fórum e com a ampliação da pauta da democratização da comunicação aqui no sertão do São Francisco”, pontua uma das integrantes do Fórum e do Coletivo Intervozes, Érica Daiane Costa.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

REGULAÇÃO: A DEMOCRATIZAÇÃO DA MÍDIA É A MÃE DE TODAS AS REFORMAS


“Não sei se tu já ‘pensasse’, 
ligando a televisão
Num dia desse qualquer,
xingando a programação
Sentado no seu sofá [...]:
por que tudo é tão igual,
se as pessoas não são?”

("Peleja de Marco Regulatório e Conceição Pública na Terra sem Lei dos Coronéis Eletrônicos", produzido para a campanha “Para Expressar a Liberdade”)

Este trecho do compositor Ivan Moraes Filho, tradicional autor de cordel, dá a exata sensação do que pelo menos 71% da população brasileira sente, quando defende novas regras para a programação das TVs e rádios – principais fontes de informação, respectivamente, para 94% e 79% das pessoas.

Esses são alguns dos dados obtidos pela pesquisa recentemente realizada pela Fundação Perseu Abramo (FPA) que, por si, garantem legitimidade ao projeto de iniciativa popular da Lei da Mídia Democrática, oficialmente lançado nesta quinta-feira (22) na Câmara dos Deputados.

Fruto de um debate de mais de 30 anos entre diversos segmentos da sociedade civil organizada, a Lei da Mídia Democrática resguarda a diversidade informativa e cultural na comunicação do País, ao estabelecer regras que inviabilizam a concentração dos meios de comunicação, mais especificamente de rádio e TV. Atualmente, contrariando a Constituição Federal, apenas 10 famílias-empresas controlam os veículos de comunicação. “A cada R$ 1 gasto com comunicação, R$ 0,45 vai apenas para uma emissora. O restante é dividido entre os demais veículos de rádio e TV”, destacou Rosana Bertotti, coordenadora-executiva do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), responsável pelo evento na Câmara.

O império econômico construído pelo oligopólio da mídia é responsável pelo que há de mais grave em um regime democrático: o monopólio da informação. A forma engessada com que as emissoras de rádio e TV concebem programas que pouco variam um dos outros, sempre com as mesmas vozes e opiniões, limitam o cidadão, conforme observou a diretora de Comunicação  da União Nacional dos Estudante (UNE), Ana Lúcia Velho. “Orientados por princípios meramente econômicos, distorcem a realidade e incentivam o conservadorismo”, afirmou.

A marginalização e desqualificação dos movimentos do campo e sindical são exemplos comuns do recorte enviesado dos grandes meios de comunicação. Essa manipulação da informação foi mais diretamente sentida pela população nas manifestações de julho e combatida nas ruas. “A hostilidade com a imprensa demonstra que essa [regulação da mídia] é uma pauta do povo”, ponderou Luiz Felipe, membro da Mídia Ninja, um grupo da imprensa alternativa que se tornou o mais novo alvo de ataques dos tradicionais veículos de comunicação.

A deputada Luiza Erundina (PSB-SP) destacou que a regulação da mídia é a “reforma mais importante” a ser feita no Brasil. Ao abrir o microfone para outros olhares e leituras, a Lei da Mídia Democrática garante às pessoas “mais consciência de sua cidadania”. “No dia que a comunicação for democratizada vai nos habilitar para acumular força política para fazer todas as outras reformas estruturais e sistêmicas: urbanas, agrária, tributária, política”, acredita.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

VENÍCIO LIMA: O DEBATE INTERDITADO






Ao contrário do que vem ocorrendo nas democracias liberais nas últimas décadas, inclusive em países nossos vizinhos da América Latina, no Brasil permanece interditado o debate público sobre o papel central que a mídia ocupa no processo democrático e a imperiosa necessidade de que jornais, revistas, rádio, televisão e internet se submetam a políticas públicas regulatórias garantidoras da universalidade da liberdade de expressão.

A mídia brasileira não debate publicamente a si mesma.

É verdade que seminários e eventos dos mais variados têm sido promovidos ou contam com o apoio ostensivo dos poucos grupos empresariais privados que controlam a mídia. O tema recorrente tem sido a liberdade de expressão equacionada, sem mais, com a liberdade da imprensa. Mesmo assim, esses seminários e eventos não constituem debate público. Preocupados em garantir os incríveis privilégios assimétricos que conquistaram historicamente e numa reafirmação de sua recusa à negociação democrática, esses grupos debatem, escutam e promovem apenas a sua própria voz. Perspectivas diferentes das suas não são ouvidas e tem sido sistematicamente caracterizadas como autoritárias, populistas e defensoras do controle e da censura estatal.

São vários os exemplos de recusa à negociação. Lembro três emblemáticos:

(1) o boicote da 1ª. Conferencia Nacional de Comunicação, realizada em dezembro de 2009. Sob a alegação de controle autoritário da organização e da pauta da Conferencia por parte do governo e da sociedade civil, os principais empresários de mídia tentaram sabotar a Conferencia e satanizaram ela própria e suas centenas de propostas como se constituíssem uma tentativa deliberada de cercear a liberdade de expressão.

(2) o Código Brasileiro de Telecomunicações – lei básica de referencia para a radiodifusão – completa meio século em 2012. Apesar da revolução tecnológica ocorrida nos últimos 50 anos, os que controlam o setor, não só se apegam às mesmas posições de quando a lei foi discutida e votada no Congresso Nacional no início da década de 60 do século passado, como se recusam a admitir a necessidade de sua substituição e, até mesmo, de debater publicamente a questão.

(3) depois de um longo e complicado processo de negociação na Assembleia Nacional Constituinte, foram inseridos na Constituição Federal princípios e normas para a comunicação social pendentes de legislação complementar. Decorridos mais de 24 anos da promulgação da Constituição Cidadã, a maioria desses princípios e normas continuam sem ser regulamentados em função da ação direta e/ou indireta dos grupos de mídia. Desta forma, não são cumpridos e, recentemente, alguns desses princípios e normas passaram a ser tratados como “instrumentos de censura estatal” por parte desses grupos.

sábado, 10 de agosto de 2013

LEI DA MÍDIA DEMOCRÁTICA TERÁ LANÇAMENTO NACIONAL NO CONGRESSO DIA 22



A Lei da Mídia Democrática, o Projeto de Lei de Iniciativa Popular das Comunicações, será lançada nacionalmente no dia 22 de agosto, a partir das 9h, em Brasília. O evento será aberto ao público e contará com a presença de representantes de movimentos sociais, ativistas, personalidades públicas e políticos que apoiam a democratização da comunicação no Brasil.

O projeto de lei da sociedade civil propõe a regulamentação dos artigos da Constituição de 1988 que garantem a pluralidade e diversidade e impedem monopólio ou oligopólio dos meios de comunicação de massa, estabelecendo princípios para a radiodifusão sob concessão pública (rádio e televisão).

Apesar do que diz a carta magna, no Brasil há uma grave situação de concentração monopólica da mídia: poucos grupos privados e menos de dez famílias são donos dos meios de comunicação.

O projeto é um instrumento da campanha “Para Expressar a Liberdade”, realizada por entidades da sociedade civil que lutam por um sistema de comunicação democrático. Ele é fruto de mais de 30 anos de luta pela regulamentação das comunicações no país e está baseado nos resultados da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em 2009.

A campanha “Para Expressar a Liberdade” vem mobilizando e esclarecendo a sociedade civil sobre a necessidade da descentralização e da pluralização do setor e tem recebido um amplo respaldo popular. As manifestações de junho demonstraram a inquietude da população frente à situação de monopólio dos meios de comunicação no país e a Lei da Mídia Democrática se tornou um importante instrumento desse debate.

A Lei da Mídia Democrática já recebeu o apoio de centenas de entidades e, desde o dia 1º de maio, quando foi levado às ruas, conta com milhares de assinaturas. Para tramitar como vontade da população no Congresso Nacional, o projeto necessita hoje de 1,3 milhão de adesões.  

A população brasileira reivindica a regulamentação do que está escrito na Constituição Brasileira para que todos tenham o direito à informação e à liberdade de expressão.


Curta o evento do lançamento no Facebook: https://www.facebook.com/events/204125323081827/

Fonte: www.paraexpressaraliberdade.org.br

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

MEGAGRUPOS ESTRANGEIROS AVANÇAM NA MÍDIA


Por que a concentração monopólica da mídia é a negação do pluralismo

O déficit de investimentos setoriais, as políticas públicas inconsistentes e a inércia regulatória afastaram o Estado do protagonismo nas áreas de informação, entretenimento e telecomunicações. Em face da concentração monopólica, a possibilidade de interferência do público nas programações depende não só da capacidade reativa dos indivíduos, como também de se garantirem direitos coletivos e controles sociais democráticos sobre a produção e a circulação de dados, sons e imagens.


Nos últimos meses, vem crescendo a mobilização de dezenas de entidades da sociedade civil em torno de duas iniciativas convergentes na luta pela democratização da comunicação no Brasil: a campanha “Para expressar a liberdade”, que defende uma nova e abrangente lei geral de comunicações; e o Projeto de Lei de Iniciativa Popular das Comunicações, cuja finalidade é regulamentar os artigos da Constituição de 1988 que impedem monopólio ou oligopólio dos meios de comunicação de massa e estabelecem princípios para a radiodifusão sob concessão pública (rádio e televisão).

São propostas fundamentais que têm como pressuposto a necessidade de se pôr fim à concentração monopólica da mídia.

Por que a concentração favorece as ambições mercantis de grupos midiáticos, afeta a diversidade informativa e cultural e representa a negação do pluralismo?

Este artigo propõe-se a lançar luzes sobre a questão, que tem a ver com a garantia constitucional da liberdade de expressão e com o aprofundamento dos direitos democráticos no país.

JUVENTUDE COMEMORA ESTATUTO E COBRA MAIS CONQUISTAS


Juventude comemora estatuto e cobra mais conquistas  


Reforma política com financiamento público de campanha. Mais recursos para educação. Democratização da comunicação. Desmilitarização da polícia. E fim dos autos de resistência. Foram essas as reivindicações apresentadas pelos jovens brasileiros, ao discursarem na solenidade de sanção do Estatuto da Juventude, na tarde desta segunda-feira (5), no Palácio do Planalto. Mas eles não deixaram de comemorar o fim da luta de quase 10 anos com a sanção da nova carta de direitos da juventude.

A presidenta Dilma Rousseff disse que não abandonou seus compromissos democráticas quando assumiu a Presidência da República e, ao finalizar sua fala em que se comprometeu com mais conquistas para a juventude e o combate à violência contra a juventude negra e pobre, disse “Eu conto com vocês, vocês podem contar comigo”.

Apresentações culturais de jovens negros marcaram a solenidade, que contou ainda com a entrega de uma carta assinada por mais de 80 organizações denunciando a violência policial contra os jovens negros nas periferias das cidades brasileiras. 


A presidenta Dilma disse que considera o fato o mais grave no Brasil de hoje e se comprometeu a eleger o assunto como o principal assunto a ser debatido nos diversos órgãos e conselhos que estão sendo criados para implementar o Estatuto da Juventude. A fala foi seguida de muitos aplausos e gritos de “Olé,olê,olá/Dilma, Dilma!”. 

Os muitos discursos, que foi iniciado pela presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Virgínia Barros, e encerrado pela Presidenta Dilma, se alternaram entre comemorações pela conquista do novo estatuto e os desafios para ampliar ainda mais os direitos dos jovens, que representam atualmente cerca de 52 milhões de pessoas. 

sábado, 3 de agosto de 2013

SEIS QUESTÕES SOBRE A URGÊNCIA DA DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO

Dênis de Moraes retorna e amplia seis pontos da entrevista que concedeu à jornalista Najla Passos para a revista MídiacomDemocracia, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), em janeiro de 2013. 

As questões se tornam ainda mais oportunas neste momento em que se intensificam duas importantes campanhas de entidades da sociedade civil que lutam por um sistema de comunicação democrático no Brasil: “Para expressar a liberdade”, que defende uma nova e abrangente lei geral de comunicações; e o Projeto de Lei de Iniciativa Popular das Comunicações, cuja finalidade é regulamentar os artigos da Constituição de 1988 que impedem monopólio ou oligopólio dos meios de comunicação de massa e estabelecem princípios para a radiodifusão sob concessão pública (rádio e televisão). 

1. Por que a luta pela democratização da comunicação é uma necessidade urgente da sociedade brasileira?

A democratização do sistema de comunicação é uma exigência incontornável e inadiável diante da absurda concentração monopólica da mídia em mãos de poucos grupos privados e dinastias familiares. A legislação de radiodifusão brasileira continua sendo uma das mais anacrônicas da América Latina. Até hoje, não foram regulamentados os artigos 220 e 221 da Constituição promulgada em 5 de outubro de 1988, que, respectivamente, impedem monopólio ou oligopólio dos meios de comunicação de massa (art. 220, § 5º) e asseguram preferência, na produção e programação das emissoras de rádio e televisão, a “finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas”, além da “promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação” (art. 221, I e II). No caso da radiodifusão sob concessão pública, torna-se essencial uma regulação capaz de estabelecer os requisitos de interesse social para que as empresas concessionárias de rádio e televisão cumpram adequadamente suas atribuições de informar, esclarecer e entreter. São urgentes mecanismos legais para coibir a concentração e a oligopolização, além de assegurar lisura e transparência nos mecanismos de concessão de outorgas de canais. 

2. Qual tem sido a ação do Estado brasileiro no setor estratégico de comunicação?

O imobilismo dos sucessivos governos chega a ser alarmante. As políticas públicas de comunicação, quando existem, são absolutamente tímidas, limitadas, fragmentadas e desencontradas. Não há uma visão estratégica, por parte do poder público, sobre o estratégico campo da comunicação de massa. Isso é grave porque as políticas públicas são indispensáveis para a afirmação do pluralismo, como também para definir o que deve ser público e o que pode ser privado, resguardando o interesse coletivo frente às ambições particulares.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Comunidade Quilombola Ferrete de Curaçá – BA é exemplo de Luta e Organização popular na Região.


Reunião na Comunidade do Ferrete.
De acordo com relatos de moradores da Comunidade Quilombola Ferrete a 32 km de Curaçá, desde 2008 o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) vem articulando mobilizações e atividades de luta e organização para com os habitantes do lugar. Agricultores, pecuaristas e pescadores que vivem dos frutos da terra e do Rio São Francisco, gente humilde e forte que integra muitas manifestações e discussões defendendo sua terra, sua história e seu rio, principalmente, das possíveis ameaças de construções de Barragens na região.
A primeira grande mobilização ocorreu no Ferrete foi em 2008, quando militantes do MAB em formação política resolveram juntar a juventude Curaçaense tanto da sede quanto de outras comunidades circunvizinhas, inclusive de Stª Maria da Boa Vista e Orocó para trazer aos jovens a temática sobre os malefícios oriundos das construções de hidrelétricas e discutir também um novo projeto energético popular, tão urgente para um Brasil mais justo e sustentável.
Graças a essas mobilizações e formações políticas aos Quilombolas a semente da luta pela garantia de direitos, mais dignidade e justiça para com os Brasileiros, germinou. Muitos representantes da comunidade começaram a participar de várias marchas e acampamentos no país, por exemplo, em Março de 2012 esses moradores do Ferrete também participaram de um acampamento na Superintendência Regional da Chesf em Recife. E não parou por ai, escolas de formação e encontros de movimentos sociais em Brasília e por todo o Brasil vem recebendo estes militantes: " A comunidade do Ferrete é uma referencia e centraliza um potencial de organização na região muito importante na luta de classe aqui do Vale do São Francisco, estou falando de militantes que abraçaram as causas dos trabalhadores, um público com um perfil de liderança e muito participativo", disse João Aparecido, Militante e Coordenação do MAB/Vale do São Francisco. "Alguma vezes, grande parte do contingente de militantes em manifestações na região são militantes aqui do Ferrete", acrescentou.
Escola de Formação de Militantes.
Com a intenção de intensificar a luta e mobilização na região do Vale do São Francisco, a Coordenação do MAB do território com sede em Juazeiro, realizou em Novembro de 2010 a primeira etapa da Escola de Militante Antônio Conselheiro em Juazeiro – Ba reunindo jovens e adultos envolvidos com a luta de classe em suas comunidades para uma formação política, através da educação popular. Toda a região São Franciscana  teve seus representantes envolvidos na formação, inclusive, a comunidade quilombola do Ferrete. As etapas de formação acontecem em 4 etapas. E em Junho de 2011 aconteceu a segunda etapa e em Julho de 2012 a terceira. Também, aconteceu na Univasf em Juazeiro – Ba, o Curso de Realidade Brasileira que durou um ano e teve também integrantes da comunidade nesta outra formação.
Movimento “O Vale Acordou”.
            Generalizou. A insatisfação foi o sentimento mais gritante no coração dos brasileiros, graças a isso, o sonho tão idealizado por muitos militantes e grandes mártires revolucionários aconteceu: O Brasil foi às ruas.
            A lista de reivindicações são várias, melhoria da educação e da saúde, uma nova politica de transporte que valorize a mobilidade de estudantes, melhore a condição estrutural dos transportes e das estradas, e, principalmente, repúdio total à corrupção.     
            E assim, aqui na região surgiu o movimento “O Vale Acordou”, que defende a redução do preço da passagem, o acesso das pessoas a Ilha do Fogo e várias outras reivindicações. E mais uma vez, nas marchas e atividades que aconteceram na cidade de Juazeiro e Petrolina lá estavam  presentes moradores da Comunidade Ferrete também protestando em favor de um País melhor: “ Eu estava lá, junto com vários outros militantes da região e de outros movimentos sentindo um energia de libertação, e ouvindo em bom tom o grito de um povo querendo mais dignidade e garantia de direitos”, disse Carol Teles, Quilombola.
Encontro Nacional do MAB em São Paulo neste ano.


Já há alguns meses que a coordenação e militantes do movimento nas comunidades vêm se organizando para participar do Encontro Nacional do MAB que se realizará em São Paulo. No Ferrete, muitos moradores estão ansiosos por mais um encontro. Mesmo a viagem sendo longa, e possivelmente, São Paulo esteja com um clima bem mais frio do que o da nossa região - os agasalhos já estão preparados para enfrentar a temperatura paulista: “Nem o frio, nem a distância impedirá que nós aqui do Ferrete,
Antônio Mauro à direita e outros militantes.
vamos em massa para esse encontro nacional aguardado há meses, afinal, e a chance de encontrar e dividir experiências com vários outros militantes do país que encontramos em diversas atividades durante alguns anos”,
disse bastante empolgado Antônio Mauro, habitante do Ferrete e Integrante da Coordenação Regional do MAB.
O ENCONTRO NACIONAL DO MAB ACONTECERÁ DIA 2 A 5 DE SETEMBRO.
Adriel Duarte, Curaçá - BA.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

“Democratização da mídia é prioritária para a defesa da soberania”, diz embaixador

Samuel Pinheiro Guimarães - Foto: Roberto Parizotti


“O controle dos meios de comunicação é essencial para o domínio da classe hegemônica mundial. Como esses meios são formuladores ideológicos, servem para a elaboração de conceitos, para levar sua posição e visão de mundo. Daí a razão da democratização da mídia ser uma questão prioritária”, afirmou o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães no debate “O Brasil frente aos grandes desafios mundiais”, realizado na terça-feira (16) na Universidade Federal do ABC. Ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos (2009-2010) e ex-secretário geral do Itamaraty (2003-2009) no governo do presidente Lula, o embaixador defendeu a campanha do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) por um novo marco regulatório para o setor. Segundo ele, uma relevante contribuição à democracia e à própria soberania nacional, diante da intensa disputa política e ideológica numa “economia profundamente penetrada pelo capital internacional”.

Entre as iniciativas para garantir o surgimento e estabelecimento de novas mídias, apontou, está a “distribuição das verbas publicitárias do governo”, desconcentrando os recursos públicos e repartindo de forma justa e plural. “O critério de audiência, que vem sendo utilizado, privilegia o monopólio e o oligopólio”, sublinhou.

O embaixador também condenou o fato de que um mesmo grupo possa deter emissoras de rádio e televisão, jornais e revistas – a chamada propriedade cruzada. Conforme Samuel, esta concentração acaba concedendo um poder completamente desmedido para alguns poucos divulgarem as suas opiniões como verdade absoluta. “Quando Estados como a Argentina, o Equador e a Venezuela aprovam leis para democratizar a comunicação, a mídia responde com uma campanha extraordinária, como se isso fosse censura à imprensa”, lembrou.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Na Bahia: ruas movimentadas contra Rede Bahia, e debates do Conselho de comunicação sem encaminhamentos


                            

Por Pedro Caribé
Com informações do Sinterp/BA e Fórum de Comunicação Sertão São Francisco

Na Bahia os mecanismos institucionais coordenados pelos governos também demonstram que estão muito aquém dos anseios populares, em especial no setor das comunicações. Na quinta-feira, dia Nacional de Lutas, 11 de julho, a Rede Bahia foi um dos principais alvos dos protestos, e tanto em Juazeiro quanto em Salvador. Um dia depois, 12 de julho, o Conselho Estadual de Comunicação realizou 3º edição do Diálogos de Comunicação sob o tema democratização com pouco presença de organizações sociais. E o pior, sem encaminhamentos concretos para o Conselho.

No Vale do São Francisco manifestantes encerraram seu percurso em frente à TV São Francisco, afiliada a Rede Globo e também integrante da Rede Bahia. Integrantes do Fórum de Comunicação Sertão do São Francisco, que defendem o direito à comunicação, reivindicaram o fim do monopólio midiático e o fortalecimento da comunicação pública e comunitária, através de um novo marco regulatório das comunicações. Representantes do MST, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Marcha Mundial das Mulheres (MMA), Intervozes e Levante Popular da Juventude (LPJ), reafirmaram a necessidade de uma reforma na mídia, enfatizando o histórico de criminalização dos movimentos sociais e a falta de espaço para essas vozes.

Salvador


Uma munição feita de faixas coloridas, percussão de latas, carro de som, megafone e palavras de ordem como “A verdade é dura! A Rede Globo apoiou a ditadura!” foi utilizada por estudantes e grupos como Consulta Popular, Marcha Mundial de Mulheres, LPL, Quilombo Rio dos Macacos, CUT , MST e o SINTERP/BA, em frente à Rede Bahia, para protestar e exigir democratização nas comunicações. Muitos dos trabalhadores da TV Bahia também juntarem-se aos militantes, que causaram frisson lendo um manifesto entregue à afiliada da Rede Globo. No final, saíram em passeata pelas ruas da cidade até a Rede Bandeirantes e Rede Record.

Conselho

Na Assembleia Legislativa a novidade se deu pela presença da Abert, por meio de Rodolfo Machado, diretor de assuntos legais. A Abert se negou a participar das Conferências e também foi contrário a regulamentação do Conselho Estadual. Na Bahia a entidade detém 110 associados, e fez uma apresentação combatendo o que chama de mitos nos discursos dos movimentos populares em prol da democratização. Rodolfo apresentou números que para ele representam diversidade na tv aberta e rádio no País.


Outros dois membros da mesa, a deputada federal Luiza Erundina (PSB/SP) e Rosane Bertotti, coordenadora nacional do FNDC, rebateram a posição empresarial. Rosane lembrou que os números não levaram em conta o volume das verbas publicitárias estatais que são direcionadas à poucos veículos, bem como o poderio das grandes redes. Na única intervenção da mesa que fez recorte direto para ações da política local, a coordenadora do FNDC  também colocou que o caso das verbas publicitárias também se reproduz em governos estaduais e prefeituras, e que a radiodifusão pública precisa de autonomia frente ao poder estatal.

Já Luiza Erundina criticou o presidente do Conselho, Robinson Almeida, por tentar, segundo ela, “escamotear a realidade”, ao buscar consenso, harmonia e diálogo convergente na sociedade de classes. Para ela tem que acontecer respeito, mas é impossível um Estado mediar interesses antagônicos. Erundina focou na capturação empresarial no Congresso Nacional e a importância de Lei de Mídia Democrática com participação popular. Para ela o governo federal é “submisso a mídia quando o assunto é regulação dos meios de comunicação”.

Robinson Almeida, que também é secretário de comunicação, mediou a atividade, e reforçou a necessidade de encaminhar as deliberações das conferências anteriores com a realização de nova Conferência Estadual ainda em 2013. Porém, não tocou na necessidade da elaboração de Plano Estadual de Comunicação que contemple os pontos já elencados nas conferências.